Prefeitura reforça iluminação em 200 pontos do Centro Histórico
(notícia publicada na edição impressa do dia 06/08/2009 do Jornal Correio da Bahia)
por Oscar Valporto
Após identificar pontos do Centro Histórico, principalmente no entorno do Pelourinho, onde a iluminação praticamente não existe ou é deficiente, a prefeitura de Salvador decidiu instalar mais de 200 pontos de luz na região para aumentar a sensação de segurança e facilitar a circulação de moradores e visitantes.
“Há muitos pontos de luz danificados e outros deficientes. Vamos botar uma iluminação nova e mais potente nesses pontos eemalguns novos onde identificamos a necessidade”, afirmou o secretário de Serviços Públicos de Salvador, Fábio Mota.
Mota e outros secretários acompanharam o prefeito João Henrique e o vice-prefeito Edvaldo Brito em almoço no Restaurante Coliseu, no Cruzeiro de São Francisco, e em visita à sede da nova subprefeitura, no Museu da Cidade. “Nossa intenção ao vir aqui é prestigiar o Pelourinho, um patrimônio da humanidade. A prefeitura de Salvador quer devolver a autoestima e a segurança ao Centro Histórico”, afirmou João Henrique.
Ambulantes
De acordo com o secretário Fábio Mota, o banho de luz será concluído em um mês. Até lá, a prefeitura também espera ter avançado muito na organização dos ambulantes. O secretário explicou que levantamento inicial mostrou que há quase 300 ambulantes no Pelourinho; e apenas 140 devidamente cadastrados.
Mesmo assim, Mota acredita que o número de trabalhadores ambulantes deve ser limitado a 80. O prefeito João Henrique destacou que o aumento do efetivo da guarda na área - 50 homens de dia e 50 à noite - já fez crescer a sensação de segurança.
A prefeitura também está buscando retirar moradores de rua da região. De acordo com João Henrique, a maioria é de pessoas do interior da Bahia e de outros estados.“ Nós estamos oferecendo passagens para que elas voltem para sua cidade”, explicou, antes de visitar as obras que estão sendo feitas no Museu da Cidade para abrigar os órgãos municipais e a nova subprefeitura.
João Henrique disse ainda que a agenda cultural será incrementada a partir da parceria entre prefeitura e estado. “Vamos combinar as agendas para termos atividades culturais aqui todas as semanas e, quando chegar o Verão, diárias”, afirmou.
Ele é o candidato do Pelô
O subprefeito do Pelourinho deverá ser o engenheiro José Augusto Leal, 62 anos - atualmente gerente de engenharia da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal). Ele foi indicado por moradores, comerciantes e artistas para ser uma espécie de síndico da área.
Contaram a convivência e a experiência conquistadas em dez anos de trabalho no Pelourinho, como diretor de patrimônio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac). “Nos reunimos e foi escolhido por unanimidade o nome de Leal. Ele conhece os problemas da área e formas práticas de resolvê-los. Comunicamos ao prefeito e estamos esperando que Leal seja empossado”, afirmou a escritora, dramaturga e representante do Theatro XVIII, Aninha Franco.
A prefeitura já solicitou ao governo do estado a liberação do funcionário, que deverá coordenar os trabalhos de revitalização do Centro Histórico. Enquanto a nomeação segue os trâmites burocráticos, o vice-prefeito Edvaldo Brito seguirá despachando no Pelourinho para acompanhar de perto as ações do choque de ordem da prefeitura.
Atual xerife da região, Brito dará expediente no Museu da Cidade, onde deve trabalhar o novo subprefeito, que ficará subordinado a Brito. Nascido em Santo Amaro da Purificação, Leal falou à repórter Mariana Rios, na quarta-feira (5) à noite.
Seu nome foi uma escolha democrática da comunidade do Pelourinho. Seu trabalho foi destacado por comerciantes, moradores e artistas, como Gerônimo e Aninha Franco. Como você avalia a indicação?
A escolha é gratificante, pela lembrança que tiveram do trabalho que realizei no Pelourinho. Fico feliz por esse reconhecimento. Trabalhei dez anos na restauração da 3ª, 4ª e 5ª etapas do Centro Histórico, como diretor de patrimônio do Ipac, de 1995 a 2005.
Acho que as pessoas gostavam da minha forma de ser. Sempre tratei todos com respeito. As pessoas humildes dali são a grande memória viva do Pelourinho: Albino da Praça do Reggae, Domingos Preto Velho, Nego Fua, Dona Lurdes da Rocinha, Carranca, o guardador de carros. Não faltam exemplos para ensinar as pessoas.
O que falta ao Pelourinho e que tipo de trabalho é possível fazer lá?
Ando no Pelourinho desde 1957, quando cheguei de Santo Amaro. Ali é um pedaço sagrado de Salvador. Gastou-se muito em investimentos de infraestrutura urbana, restauro de igrejas e do patrimônio.
Deve-se cuidar das pessoas, transformar o Pelourinho em algo agradável para a gente da terra. Transformá-lo em ambiente saudável, de convivência plena, para que qualquer pessoa, inclusive as que cheguem de fora, aproveite e usufrua do mesmo jeito.
É preciso governança. Antes de ser patrimônio da humanidade, deve ser visto como patrimônio do povo de Salvador. Independente de partido político, é responsabilidade de todos os cidadãos.
Em que outras áreas do Centro Histórico você trabalhou?
Depois de trabalhar no Ipac, fui escolhido como gestor para conduzir a recuperação do Forte de Santo Antônio Além do Carmo, que hoje é um centro de referência para a história da capoeira. Foram nove meses de trabalho para reverter 50 anos de abandono daquele prédio.
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